A Alemanha reconhece oficialmente o genocidio na Namibia na era colonial

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A Alemanha reconhece oficialmente o genocidio cometido por eles na era da ocupação colonial Namibiana, e anuncia que irá pagar com uma recompensa financeira com a estimativa de um valor acima de 1.1 bilhão de Euros. 

Os colonizadores alemães mataram mais de dez mil pessoas das tribos Herero e Nama, no início do século 20.

O ministro das relações exteriores Heiko Maas, afirmou durante a sua visita ao país que, o seu país (Alemanha) pede perdão aos descendentes namibianos pela dor e danos causados. 

Mas alguns ativistas, afirmam que não é o suficiente somente endereçarem a dor e sofrimento causado. 

O dinheiro aparentemente será pago durante 30 anos, direcionando os valores para construções de infraestruturas, ramo da saúde, e programas de treinamento que beneficiem a comunidade impactada. 

 

“Vamos oficialmente nos referir a este evento ao que eles realmente são na perspectiva actual: genocidio”, afirmou Maas, adicionando que os actos da era colonial devem ser discutidos “sem poupar algum detalhe ou tentar embelezar” 

 

O porta-voz do governo Namibiano, afirmou à agência de comunicação que o reconhecimento da Alemanha foi o “primeiro passo no caminho certo”. 

 

A declaração de sexta-feira chega após 5 anos de negociações com a Namíbia – que esteve sobre a ocupação Alemã entre os anos de 1884 e 1915. 

 

As actrocidades cometidas, foram recentemente descritas por historiadores como “genocídio esquecido” do inicio da decada do seculo 20, no que na altura era considerado como o Sudoste da África Alemã. 

 

As Nações Unidas definem como genocidio uma série de actos, que incluem mortes cometidas com  a intenção de destruir, de todo ou em parte, grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.

 O genocidio teve o seu início em 1904, logo após a rebelião dos Nama e Herero contra a Alemanha ter tomado posse das terras e do gado. O chefe da administração militar na altura, Lothar von Trotha, respondeu com a exterminação do povo. 

 

Os sobreviventes da população Herero e Nama, foram forçados a refugiar-se no deserto, e posteriormente colocados em campos de concentração, onde foram colocados a fazer trabalho forçado.

 

Muios morreram por exaustão, doenças e fome, com alguns submetidos a abuso sexual, escravidão, e ainda serviram como cobaias em experimentos medicos. Morreram mais de 80% da população indigena, durante o genocidio – com uma estimativa de mais de 10 mil pessoas.

 

A Alemanha já havia reconhecido anteriormente as atrocidades, mas tinha descartado a hipótese de reparações. Em 2018 houve o repatriamento de alguns restos mortais para a Namíbia, que haviam sido utilizados como parte no que são consideradas pesquisas desacreditadas para tentarem provar a superioridade dos brancos europeus.

 

O último acordo foi supostamente decidido durante uma rodada de negociações realizada por enviados especiais em meados de maio.

Uma declaração deve ser assinada pelo ministro das Relações Exteriores alemão na capital da Namíbia, Windhoek, no próximo mês antes de ser ratificada pelo parlamento de cada país, segundo a mídia alemã.

O presidente Frank-Walter Steinmeier deve então viajar ao país para se desculpar oficialmente.

 

Laidlaw Peringanda, um ativista herero e presidente da Associação de Genocídio da Namíbia, disse que a oferta de ajuda ao desenvolvimento não é o suficiente.

“Na verdade, não estamos a aceitar esta oferta porque nosso povo perdeu terras, perdeu a  sua cultura e muitos deles fugiram para Botswana, África do Sul e alguns deles foram levados para Togo e Camarões”, disse ele à BBC World Service.

Ele insistiu que a Alemanha deveria comprar de volta às terras ancestrais agora nas mãos da comunidade de língua alemã, que supostamente representa menos de 1% da população.

“As pessoas estão a ficar  impacientes, especialmente os negros da minoria que [não] têm um pedaço de terra”, disse ele. “E pelo que vou ouvindo de algumas pessoas, haverá uma revolução agrária. As pessoas vão apoderar-se das terras à força. Portanto, devemos realmente tentar evitar essas coisas”.

 

O Sr. Maas disse que as negociações visam encontrar “um caminho comum para uma reconciliação genuína em memória das vítimas” com membros das comunidades Herero e Nama intimamente envolvidos nas negociações.

 

Outro ponto de discórdia é em torno da linguagem. O acordo feito centra-se na ideia de reconciliação sobre uma compensação formal, com o Sr. Maas descrevendo o pacote de ajuda como um “gesto” em vez de reparação.

 

Jürgen Zimmerer, professor de história global da Universidade de Hamburgo, afirma  que um grande número de descendentes das vítimas do genocídio sentiu-se excluída.

“Isso é um grande problema se a reconciliação for o objetivo”, disse ele. “Como você se reconcilia com as vítimas se elas se sentem excluídas de todo o processo?”

Tim Whewell, escreveu para a BBC no início deste ano sobre as negociações, disse que as discussões foram as primeiras do tipo por uma ex-potência colonial.

Ele escreveu que muitos Herero e Nama que vivem em áreas superlotadas ou assentamentos informais esperavam que o negócio fosse de alguma forma para restaurar o acesso à terra e parte da prosperidade que seus ancestrais desfrutavam antes do genocídio.

 

Por: Neusa Roças

 

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