Divo Of The Week: Liniker de Barros Ferreira Campos

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Chegou á sexta-feira, o dia que homenageamos e rendemos agradecimentos aos Divos, que se destacaram, ou se destacam através dos seus feitos em prol de um bem maior, quer na dança, música, moda, desporto, artes, culinária, designer, entre outras áreas.

Belas canções de amor, lindas composições, dona de um vozeirão, e de um coração cheio de amor que transborda em sua vida e que reflete em suas canções, pois é, hoje o nosso destaque vai para o nosso Divo Liniker.

Liniker de Barros Ferreira Campos ou simplesmente “Liniker”, nasceu em 3 de Julho de 1995, é uma cantora e compositora Brasileira da banda Liniker e os Caramelows. Tendo como  influência de estilos soul, jazz e samba, destaca-se, a partir de 2015, por sua potência vocal e pelas letras de amor.

Liniker foi criada pela mãe, que é professora de Samba-Rock, com quem aprendeu alguns movimentos. A atividade da sua mãe e dos tios compositores de samba foram as suas maiores influências quando começou a compor suas músicas mais tarde.

Liniker faz parte de uma geração de artistas populares da música Brasileira assumidamente trans. A negritude tem sido o tema de destaque nas suas canções, em contraste com referências diversas da música negra.

Em 2015, a banda gravou o EP “Cru”, com três músicas, os clipes das músicas chegaram a  alcançar um milhão de visualizações em cinco dias e cinco milhões de visualizações em em uma semana em plataformas de compartilhamento de vídeo. O vídeo da faixa “Zero” impulsiona a repercussão, single que hoje conta com trinta e três milhões de visualizações no Youtube. A música valoriza o talento da cantora, que canta em falsete e a cappella na introdução, acompanhada apenas pelos backing vocals.

No ano seguinte, Liniker e os Caramelows lançam o primeiro álbum intitulado, “Remonta”, que inclui as três faixas de Cru. Algumas composições são baseadas em antigas cartas de amor escritas por Liniker inspiradas em mensagens  para homens que deseja, porém não as envia. Numa conversa com Lázaro Ramos, Liniker afirma que sempre foi uma pessoa muito apaixonada, e sempre escreveu sobre amor, continuou a cantora dizendo – “Minhas músicas são cartas que eu não entreguei, todas elas ou a maioria delas. Não tinha coragem de dizer para a pessoa, então fazia aquilo de outro jeito, cantando.” A cantora e compositora contou também um pouco da história por trás das suas músicas sendo elas maioritariamente sobre amor – “Quando eu me descobri apaixonada pela primeira vez, vi que aquela paixão dava em mim uma vontade tremenda de escrever tudo, de pôr tudo no papel e poder gritar.”

 

Entre 2016 e 2018, o trabalho ganha visibilidade fora do Brasil. Liniker faz turnês pela Europa, América Latina, África e Estados Unidos. O público estrangeiro aprecia sua música sem muitas vezes se quer compreender as letras em português. A representatividade que sua imagem comunica, de uma mulher negra trans bem-sucedida, também contribui para o interesse desse público.

Em 2019, a banda lança o álbum de gênero R & B/Soul intitulado “Goela Abaixo” que teve entre os nomeados no Latin Grammy Award na categoria “Melhor Rock ou Álbum Alternativo de Língua Portuguesa”. O trabalho agrega elementos da música caribenha e africana. A figura da mulher negra trans que se afirma como um “corpo político” em diversas entrevistas assume aspeto mais global e representativo de toda a diáspora negra.

Liniker se destaca não apenas pela potência técnica de sua voz (afinada e cheia de nuances), mas também pela representatividade social. Como mulher trans que escreve e canta sobre amor, ela conecta sua obra com um público que raramente se reconhece na música brasileira.

Numa conversa com Roseann Kennedy, Liniker fala sobre aceitação e sua representatividade.

“As pessoas sempre me perguntam: Você é uma travesti ? É uma mulher trans?.” Sobre esses questionamentos, a cantora fala com tranquilidade e conta a sua trajetória de transformação. “A questão da transição foi mesmo uma aceitação dentro de mim.” Para Liniker, a medida que foi descobrindo o próprio corpo sem preconceitos pôde perceber que não precisava estar condicionada a ideias pré-concebidas e relembra: “Quando eu saio para morar sozinha e conheço outras travestis, quando eu conheço outras mulheres transexuais e homens transexuais eu começo também um processo de representatividade, de me enxergar naquilo. De falar que eu não sou um menino, eu sou uma mulher.”

Com o amor e a música como bandeiras, Liniker descobriu que a sua mensagem era potente e capaz de transformar as pessoas. Em setembro de 2017, durante o Rock in Rio, agitou o palco Sunset com um beijo na boca do cantor Johnny Hooker ao fim da música “Flutua”, composição feita em parceria pelos dois artistas. A música atingiu sete milhões de visualizações no youtube e dez mil e duzentos e cinquenta e cinco comentários, muitos elogios e gratidão dentro os quais teve um comentário de Mayke Prates que escreveu – “O meu dia hoje foi um desastre, meu pai fez uma enorme cena homofóbica no almoço de família, e a família toda, é claro que ficou do lado dele. Agora eu estou aqui sozinho em casa trancado ouvindo essa música, esse hino! Terminou agradecendo. 

O show também criticou a onda de violência contra as pessoas LGBTs no mundo. Sobre este episódio ela revela: “Só o fato de ser uma travesti num palco como o Rock in Rio, ocupando os lugares que eu venho ocupando hoje, fazendo os shows que eu tenho feito, já é extremamente importante e legítima a minha existência e faz com que outras meninas também possam existir no nosso país e no mundo.”

A vontade de falar de seus sentimentos, das relações humanas e do amor, tiveram como resultado músicas delicadas com roupagem dançante. Sobre isso Liniker reflete: “Poder transformar as minhas questões musicalmente é incrível. Eu acho que na música é o momento em que eu estou mais transparente com tudo. É o momento em que eu mais consigo me conectar com as coisas, que até quando estou sozinha eu não consigo. Cantando esse estado chega”. 

 

 

 

Se o trabalho árduo, é a base para as conquistas que ‘Liniker e os Caramelows’, tem colhido ao longo da carreira, a cantora diz não se surpreender com o sucesso. Mas se diz admirada quando o assunto é reconhecimento internacional. “Eu nunca tinha viajado para fora do Brasil, e hoje eu já perdi as contas de quantas vezes eu viajei. É muito gostoso poder atravessar essa barreira no nosso país e poder atravessar um pouco a cultura desses outros lugares, desses outros continentes e fazer a nossa arte ser presente. Fazer a nossa arte ser pautada em lugares onde nunca achamos que fossemos estar, pela condição social, pela nossa condição histórica. Chegar lá e ver as pessoas cantando o nosso som é uma coisa surreal”.

Sua voz incrível continua a encher corações, Liniker a artista com um vozeirão incrível, continua brilhando em volta do mundo transbordando o amor que tem no seu coração para as composições e por sua vez para suas canções.

A banda encerra ciclo de 5 anos e parte para projetos paralelos a partir do segundo semestre de 2020. No mês de Outubro Liniker disponibilizou  a sua primeira música a solo com o título “Psiu”, a sua essência permanece, o amor ainda é base das suas canções, a canção recebeu vários elogios dos internautas, e a quem chegou até mesmo a considerar Liniker melhor artista da atualidade. Na verdade, é uma nova fase que a artista está vivendo, tanto na música como em sua vida pessoal, tal como falou numa entrevista pela Rolling Stone Brasil. Até o momento é a sua primeira faixa que marca seu novo ciclo e esperamos por muitos mais sucessos.

 

 

Por: Edvaldo Salvador

 

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