Homens de salto alto: A história do kothorni aos irresistíveis scarpins

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Quem resiste a um belo salto alto? Pode até não usar, mas negar que eles transformam qualquer produção, é crueldade. 

Apesar de os saltos altos actualmente serem um símbolo de feminilidade, nem sempre foram exclusividade do vestuário feminino, aliás, o salto alto foi pensado inicialmente para os pés masculinos.

O registo mais antigo na história foi na Pérsia durante o século X. Os guerreiros usavam o calçado para prender os pés nos estribos e dar mais segurança durante a luta. 

 

Com o passar do tempo, o salto alto passou a significar poder, destreza militar e tornou-se uma demonstração de riqueza, já que apenas quem tinha dinheiro podia comprar cavalos. Esse simbolismo ressurgiu na França em 1600 sob o reinado do rei Luís XIV, onde o monarca abusava do luxo, das perucas e, complexado por sua baixa estatura, de apenas 1,60cm, pensou na única forma de crescer: aumentar o salto dos sapatos. Denominou essa como nova regra de vestuário que, além da utilidade estética, distinguiria entre nobres e plebeus, pois apenas membros da sua corte tinham autorização para usar saltos como o dele.

Já no final da Revolução Francesa, o calçado foi considerado feminino demais pelos homens da Europa que o desprezaram. Mas depois, à medida que o oeste americano começou a atrair novos colonos, os cowboys incorporaram o estilo nos seus trajes. A maioria das botas  dos homens da região apresentava um salto redondo invertido, chamado salto cubano (referindo-se aos calçados dos dançarinos de flamenco tradicional), e eram uma necessidade para viajar longas distâncias a cavalo. 

Apesar disso, os saltos ainda eram considerados sapatos femininos e somente na década de 1960, quando os Beatles popularizaram as “Botas Beatle” — uma versão inicial das botas Chelsea — o salto foi reinventado na moda masculina. Grupos de rock do final do século XX, como Aerosmith e Mötley Crue, também adoptaram o calçado, enquanto artistas como Kiss e David Bowie optaram por versões mais ostensivas. 

Durante a Antiguidade na Grécia e em Roma, o salto surgiu no teatro. No palco, actores usavam plataformas com base de quatro polegadas em madeira ou cortiça. A altura era proporcional ao estatuto do personagem que representava nos dramas e nas comédias. Mais tarde, por volta de 200 a.C., os romanos adoptaram a ideia e chamaram os sapatos de kothorni. 

Agulha, carretel, vírgula, cone e plataforma são apenas alguns dos modelos que existem há séculos. Essenciais desde os tempos dos cavaleiros, foram símbolo de estatuto, insuflaram o ego do rei da França e pessoas há que digam que os sapatos de salto alto ajudaram a manter o mínimo de higiene durante a Idade Média.

 

Depois de tantas reformas, como quase tudo, o uso do salto alto foi padronizado. Embora, hoje os amantes da moda buscam, actualmente, quebrar as questões de género no que toca a roupas, e demonstrar que “homens de salto” são sinónimo de fashionismo, liberdade e poder.

 

Por: Bruna Guilherme.

Fonte: www.metropoles.com

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