“Porquê que não falamos sobre o abuso sexual que os meninos negros sofrem?”

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Existe uma longa crença silenciosa onde o homem e os meninos não podem ser estuprados. Temos tendência em ver o abuso sexual pela lente feminina. Tomar o corpo de uma mulher de forma forçada sempre foi a definição popular, porque se um homem tem um pénis, então ele automaticamente é o agressor, o opressor e nunca a vítima. Esta situação aumenta 20 vezes se for um homem negro.

 

O homem negro durante a história sempre foi perpetuado como um ser hipersexual, que se deixa levar pelos prazeres carnais de ter relações sexuais, estuprá-las a qualquer momento.

A objetificação do corpo do homem negro e o seu suposto poder, para muitos ele somente serve para penetrar, dar prazer, e nada mais que isso.

Quando pensamos nos meninos e adolescentes negros, a primeira coisa que nos vêm a mente são: travessos, zangados, bonitos, criminosos, estúpidos, ignorantes, criativos, lentos, e talvez em ultimo caso inteligentes. Para pessoas diferentes, eles representam coisas diferentes, mas podemos apostar que a única coisa que a maioria de nós nunca irá atribuir, é o facto dos meninos negros  serem vítimas de agressão sexual.

A estes, nunca lhes foi dada a oportunidade de serem vistos como vitimas de  algum tipo de abuso, contudo, quando vemos as estatísticas relatadas pela 1in6 ( organização dedicada a ajudar sobreviventes sexuais masculinos) o primeiro encontro sexual de muitos meninos negros é a partir dos  9 ou 10 anos de idade, geralmente com uma  mulher mais velha, é que um em cada seis meninos negros sofre abuso sexual, temos que nos perguntar: “Porquê que  não  falamos sobre o abuso sexual que os meninos negros sofrem?”.

Várias figuras públicas masculinas, já admitiram em fórum público que as suas primeiras experiências sexuais foram sempre com mulheres mais velhas, situação esta, que tem sido várias vezes encorajada pela sociedade. Ter a sua primeira vez com alguém mais velho, e muitas vezes até com algumas “primas”, dentro da comunidade negra é um gesto aplaudido.

Possivelmente devido a essa  realidade, parece que sua compreensão sobre sexo foi distorcida, e os homens levavam uma vida sexualmente ativa. Um homem dormiu com quase 150 mulheres e outro teve 11 filhos com várias mulheres. Lendo as histórias das mulheres que flertavam levemente com os meninos aos 12 anos, os abraços e toques que recebiam das mulheres sob o disfarce de afecto familiar e os eventuais encontros sexuais atingiam o lar. Essas histórias se parecem com muitas outras que conhecemos. É repugnante e parti o coração. Por que não nos importamos com o que está  acontecer aos meninos negros?

No actual clima do movimento  #metoo e a consciência tardia da agressão sexual que as mulheres sofrem diariamente, é importante que essas histórias sejam destacadas. Também acredito que deveria haver espaço “à mesa” para a conversa sobre a agressão sexual masculina, especificamente com meninos negros. 

Precisamos mudar a forma como vemos o abuso sexual entre nós. Fazer sexo com uma mulher 10 anos mais velha quando se tem 14 anos não é bom. Isso é abuso, puro e simples. Não podemos normalizar  a anti-negritude que pensamos que é normal e  que os meninos negros podem ser estuprados desde cedo.

São conversas que devem ser “normalizadas”, com debates e palestras para se poder evitar a objetificação, o abuso físico e psicológico destes meninos, para garantirmos adultos funcionais emocionalmente. 

 

Por: Neusa Roças

Fonte: https://bit.ly/32c6QZL 

Fotos: instagram.com/derrick_o_boateng/?hl=pt

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