Pré venda: O novo normal no mundo da moda.

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O esquema de vendas por pre-order, onde o cliente paga com antecedência pelo produto que irá receber semanas ou meses mais tarde, não é uma grande novidade na moda. Era assim antes da invenção do prêt-à-porter, e até recentemente, com estilistas organizando trunk shows para clientes no período entre o desfile e a chegada da coleção em loja – mesma coisa que o Moda Operandi faz digitalmente. Porém, recentemente (e com o advento da pandemia), mais marcas passaram a explorar esse tipo de produção, desde labels grandes até estilistas independentes. Entre os atrativos, o fato de ser uma maneira mais eficiente de prever demanda, evitar que estoques sejam mantidos em excesso, e ter os custos de produção cobertos com antecedência. A americana Telfar, que faz bolsas que esgotam minutos após aterrissarem em seu e-commerce, é uma das adeptas.

Fizeram uma pré-venda de um único dia, onde todos os modelos e cores podiam ser encomendados – a vantagem era ter acesso a um item raro, e a desvantagem, a espera: 5 meses após o pagamento, e sem nenhuma opção de cancelamento ou devolução. Foi a maneira que a marca, ainda pequena, encontrou de produzir um item muito desejado em maior escala.

NEW YORK, NEW YORK - FEBRUARY 08: A guest is seen wearing green bag outside Tibi during New York Fashion Week Fall/Winter 20 on February 08, 2020 in New York City. (Photo by Christian Vierig/Getty Images) (Foto: Getty Images)

 

Apesar dos hábitos de consumo mais imediatistas ainda serem uma realidade (o see-now-buy-now é um reflexo disso), cresce também um movimento oposto, de aceitação de um período de entrega mais longo, tanto pela realidade da pandemia quanto pelo interesse em produtos mais sustentáveis e produzidos com menos desperdício. A estratégia é boa, mas não funciona para todos. Riscos de atrasos, clientes insatisfeitos e devoluções podem ser comprometedoras, mas por outro lado, consumidores já familiarizados com a marca e seus produtos têm maior chance de ficarem satisfeitos na entrega. Em um momento de crise econômica global e com muitas incertezas sobre hábitos de compras futuros, o pre -order pode ser uma solução.

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Look da Themba, disponível por pré-venda

 

Thainá Sagrado, estilista por trás da Themba, trabalha com a pré-venda desde que abriu sua etiqueta em novembro passado. “Por ser uma marca pequena, que começou sem a possibilidade de grandes investimentos, sempre fez sentido para mim. Eu não tenho estoque, por exemplo, logo não tenho necessidade de um espaço físico para tal. Eu economizo tecido produzindo sob demanda e tenho mais flexibilidade para desenvolver e trabalhar outras criações”, ela diz.

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Slippers da coleção Live in Schutz, desenvolvida durante a pandemia para vendas via pre order

 

Suas peças levam 20 dias para serem entregues, e pode ser um desafio fazer com que as pessoas se abram para esse tipo de venda. “É um movimento contra padrões exagerados de consumo e que vai na contramão do que estamos acostumados com inúmeras ofertas de compra e entrega rápida”, completa.

Nomes grandes como a Schutz também vêm explorando as vantagens do pre-order. A marca tem peças vendida assim há mais de três anos, com uma espera que leva em torno de 40 dias. Em geral são produtos que antecipam tendências ou best-sellers em reposição. Durante a pandemia especificamente, a marca notou uma maior demanda por itens confortáveis para usar em casa. Como as fábricas ainda fechadas, a solução foi introduzir a linha de homewear em pré-venda. “O benefício é que conseguimos obter uma leitura de tendência, oferta antecipada e ter o produto certo na hora certa”, diz Mayra Miranda, head de marketing,  garantindo que é um modelo de vendas que a label pretende manter.

Em geral, o sistema é um estimulo para o consumo mais consciente, e ajuda consumidores a entender o tempo necessário para desenvolver produtos. Antes de adquirir existe um momento de reflexão: “eu realmente quero esse item? Ainda vou querê-lo em quatro semanas?” Se sim, provavelmente é um indicador de uma compra sem impulso.

Fonte: Vogue Brasil

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