TIMELESS: Cheikh Anta Diop

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Cheikh Anta Diop (1923-1986) foi um polímata senegalês formado em Física, Filosofia, Química,Lingüística, Economia, Sociologia, História, Egiptologia, Antropologia, versado em diversas disciplinas como o racionalismo, a dialética, técnicas científicas modernas, arqueologia pré-histórica…Enfim, um homem que estudou as origens da raça humana, e a cultura africana pré-colonial. Ainda hoje ele é considerado como um dos maiores historiadores africanos do século XX. E foram estes conhecimentos que Diop utilizou para dar base à tese que iria defender mais tarde, que fala do Egito antigo, como uma civilização composta por pessoas negras.

Nascido no Senegal, Diop era proveniente de uma família aristocrática muçulmana Wolof (sendo educado em uma escola islâmica tradicional). Tais dados seriam úteis ao desenvolvimento de sua tese, e o jovem rapaz obteve o grau de bacharel, no Senegal, mudando-se depois para Paris, com intuito de realizar pós-graduação.

Na França o jovem senegalês irá defender uma tese revolucionária, que será rejeitada, pela universidade de Paris, mas, isso não o  deteve  Antes de prosseguir, frisa-se que Diop foi o primeiro egiptólogo africano. Certa vez ele afirmou ser “o único Preto Africano de sua geração, a ter recebido formação como um egiptólogo”, e “mais importante”, ele “aplicou esse conhecimento enciclopédico em suas pesquisas sobre a história Africana”.

Em 1954, Anta Diop defende uma tese de que o antigo Egito tinha sido povoado por pessoas negras. A publicação de suas idéias no livro – Unidas nègres et culture – fez dele um dos historiadores mais controversos do seu tempo.

Diop também era político, e a sociedade africana de sua época mostrava um ambiente de veemente busca pela restauração da identidade africana, que se alegava havia sido deformada pela escravidão e colonialismo. Inspirado por grandes nomes como Aimé Césaire, Diop engajou-se nesta luta, mas, sendo ele mesmo um literato, buscou reconstruir a identidade africana, do ponto de vista estritamente científico e sócio- histórico. Cheik Anta Diop acreditava que a luta pelo renascimento cultural e político da África não teria sucesso sem que se reconhecesse o papel civilizador do continente, que data da antiga civilização egípcia.

Diop mostrou de forma indelével e maciça, que os arqueólogos europeus, antes e depois da descolonização, tinham subestimado e continuam a subestimar a possibilidade de civilizações negras da antiguidade terem alcançado tremendo desenvolvimento, séculos antes que os europeus.

Fonte:
Geledés

 

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