Timeless: Spike Lee

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Shelton Jackson Lee ou simplesmente Spike Lee, nascido em 20 de Março de 1957 em Atlanta, sul dos EUA, é um Afro-Americano de 64 anos, diretor, professor, roteirista, produtor e ator. Nunca deixou de apresentar em suas obras o seu pensamento mais honesto sobre racismo e preconceito no geral numa época marcada pelo preconceito racial. Mudou-se com sua família, quando tinha 3 anos, para o Brooklyn, onde adquiriu toda a sua consciência social. 

Filho de uma professora de música e de um músico de jazz, foi a profissão  do seu pai que obrigaram a família a mudar-se para o bairro de Brooklyn em Nova Iorque. Aos 14 anos, por influências da sua avó paterna, regressou a Atlanta para matricular-se no Morehouse College, só frequentado por alunos de raça negra. Aí desenvolveu uma paixão pela fotografia e pelo cinema, tendo alcançado anos mais tarde uma bolsa de estudo no Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque.

Para o projecto de Graduação escolar produziu o seu primeiro filme com o Joe ‘s Bed-Stuy, Barbershop: We Cut Heads. Em 1980 produziu a curta de 10 min para a Longa “Messenger” que contou com o financiamento da sua avó, que também havia custeado os seus estudos na universidade Morehouse.

Spike Lee estudou na Tisch School of the Arts e começou a carreira dirigindo curtas-metragens. Seu primeiro longa-metragem foi Sarah (1981). Além de diretor, Lee também é roteirista e ator. Como ator, fez sua estreia em Ela Quer Tudo (1986).
O diretor já recebeu duas indicações ao Oscar, por 4 Little Girls (1997) e Faça a Coisa Certa (1989), venceu o prêmio como Melhor Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan (2018). Além do cinema, Lee já dirigiu telefilmes e seriados de televisão.

Criou diversos estilos para deixar sua assinatura presente ao longo de todas as suas obras, ou seja, pontos específicos que tornaram qualquer um de seus trabalhos facilmente identificados, cenas como os gritos evocativos geralmente colocados logo no início dos filmes, presentes como (School Daze – 1988) , (Do the right Thing – 1989), (Chi Raq – 2015). Porém o grito pode ser interpretado como uma metáfora, um pedido para que o telespectador acorde para a vida ao seu redor, mesmo que isso precise entrar no mundo irreal do cinema.

Dentre seus 30 reconhecidos trabalhos, os temas, estilos de direcção voltam-se sempre para o mesmo foco, disparidades sociais, uma já abordada em seu primeiro filme “She’s Gotta Have It – 1986”, e o machismo, construindo personagens femininas fortes e presentes, temos o exemplo de Nola Darlings que precisa escolher apenas 1 entre seus três namorados. Com essa premissa Spike retrata a sexualidade feminina, independência feminina, homoxesualidade, poligamia e um elenco 100% negro numa época cheia de tabús como anos 80’s. Esses são apenas alguns dos exemplos dos filmes participantes do movimento “Blaxploitation” Blaxploitation é um sub gênero étnico do filme de exploração que surgiu nos Estados Unidos durante o início dos anos 1970. 

Os filmes produzidos na década de 1970 eram geralmente considerados uma forma de exploração porque produtores, escritores e diretores não negros procuravam contar histórias negras e vender essas histórias potencialmente inautênticas para o público negro. Basicamente constituídos por filmes dirgidos e protagonizados inteiramente por negros e com temática voltada para este público. Lee era um dos principais nomes ao lado do diretor Gordon Parks, o músico Marvin Gaye entre outros.

Brooklyn também é cenário recorrente durante sua carreira e é lá que se conta a história de “Do The Right Thing”, seu mais consagrado trabalho pela crítica. Com um estilo hiper realista de desenvolver trama, Spike Lee aborda nesta obra preconceitos não apenas raciais de brancos para negros, mas também de nativos para imigrantes, imigrantes para imigrantes, e negro para negro. Adquirindo um discurso focado na honestidade e nas multicamadas relações sociais. 

A definição de violência neste caso é também um dos focos da narrativa, e a violência gratuita acaba rendendo sua cena mais chocante.

Temos a prática de black face retratada na longa “Bamboozled” do ano dois mil, abuso de poder policial para com a comunidade negra e as religiões praticadas por ela, como em Malcolm X de 1992.

Spike denomina seus trabalhos como “Joint” que em tradução direta para português seria “conjunto”, “junção”. Porém na linguagem coloquial americana também pode ser “um cigarro de maconha” ou “um local para gastar tempo com amigos”. 

Ao longo de sua caminhada percebemos que existe um filme de Spike que não recebe essa denominação “Oldboy” de 2013. Uma adaptação de um filme sul-coreano original feito pelo diretor Park Chan-wook, esse é o filme mais controverso. Representando um prejuízo de cerca de 25 milhões de dólares, foi caracterizado como desnecessário pela crítica, já que não apresenta nada de nova trama e apropriou-se de uma cultura não americana.

Por fim, diante da observação que Spike é um realizador ousado, fiel aos seus princípios e reconhecidamente talentoso, diante de uma Hollywood racista claramente controversa, não surpreendentemente fez com que Lee financiasse independentemente muito de seus trabalhos, mas seu reconhecimento hoje, é fruto de seu trabalho. Rendendo em 2018 o “Grand Prix” no Festival de Cannes por “BlacK Klansman” seu último trabalho que também enfrentou crítica sendo taxada de inconsistente, por costurar a trama, as manifestações supremacistas branca nos EUA, também expressa no que pode ser considerado numa vanguarda cinematográfica a possibilidade de retratar opiniões culturais no cinema. Críticas fundamentadas e uma tentativa de adicionar elementos documentais a uma história ficcional. Sendo necessário assim, analisar também socialmente e contextualizar para atingir opinião global sobre a obra do diretor, colocando Spike Lee no lugar que realmente merece estar.

Num momento em que o mundo enfrenta fases difíceis, as mortes por vítimas da COVID-19, pessoas hospitalizadas pela mesma causa, os confinamentos e distanciamentos sociais, num momento como esse, o amor fala sempre mais alto e o realizador não deixou de declarar o seu pela cidade de Nova York com uma curta-metragem em plena quarentena intitulada “New York New York, o Spike termina dizendo  “Não gostaria de estar em outro lugar do mundo”.

Spike Lee nunca escondeu seu amor por Nova York. A cidade é sempre destaque em seus filmes. Diante da pandemia que assolou a Big Apple, que se tornou o epicentro da doença nos EUA, o cineasta decidiu prestar sua homenagem. Ele produziu um curta-metragem durante a quarentena em que declara sua paixão.

‘New York New York’ é inspirado na música de mesmo nome famosa na voz de Frank Sinatra – que também é a trilha sonora por trás das cenas -, tem pouco mais de três minutos e exibe imagens de locais clássicos da cidade completamente vazios, como Wall Street, Times Square e a Central Station. O vídeo também mostra cenas de hospitais e profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia.

Em entrevista à CNN norte-americana, Lee descreveu seu novo projeto como uma “carta de amor para as pessoas, clara e simples”.

“É doloroso quando você vê que não há ninguém lá. Mas no final do filme, é quando vemos os nova iorquinos. Não gostaria de estar em outro lugar do mundo que não fosse aqui, o epicentro”, se emocionou ele. 

De um modo geral Spike não está somente ligado às questões raciais e políticas, mas podemos ver um Spike também solidário com outras situações que o mundo nesta fase atravessa por conta da pandemia.

Várias celebridades em volta do mundo têm mostrado o quanto é importante a vacinação contra a COVID-19, e Spike Lee não ficou de parte, registrou suas duas idas ao posto de vacinação todo feliz para o ato de vacinação. Mas o cineasta de 64 anos foi  além. Mandou enquadrar o comprovativo junto com os dois frascos da vacina da Pfizer que foi aplicada nele. “Recebi minha segunda dose da vacina Pfizer e isso aconteceu 5 semanas atrás. Sem efeitos colaterais. Sem nada. Vacine-se! Deus Abençoe”, escreveu na legenda.

 

 

Por: Edvaldo Salvador

SUBSCREVA HOJE

Tenha acesso às notícias dos famosos
pt_PTPortuguês
en_USEnglish pt_PTPortuguês